Durante o Rio Innovation Week 2026, a NTT DATA acompanhou as principais discussões sobre tecnologia, inovação e transformação dos negócios. No palco do Energy Hub, nossos executivos participaram de um debate sobre um tema que ganha cada vez mais relevância para empresas de Utilities e Energy: como a inteligência artificial pode transformar a forma como organizações conhecem seus clientes, desenvolvem produtos e tomam decisões.
Moderado por Alexandre Castro, do Energy Hub, o painel teve a participação de importantes executivos da NTT DATA Brasil: José Carlos Franco, diretor de Digital Experience da NTT DATA, Felipe Versiani, diretor executivo de Energy, Utilities, Mining & Metals, e Givanildo Costa, diretor Energy - Oil & Gas.
A discussão teve como ponto central o uso de Personas Sintéticas — representações digitais capazes de simular diferentes perfis e comportamentos — como uma camada complementar de inteligência para pesquisa, experimentação e validação de hipóteses.
Da ideia ao teste: uma nova forma de desenvolver produtos
Tradicionalmente, o desenvolvimento de produtos parte de entrevistas e pesquisas com usuários, passa pela documentação de requisitos e desenvolvimento e chega à validação em etapas mais avançadas do processo.
A inteligência artificial permite repensar essa dinâmica.
Em uma abordagem de IA E2E, conhecimentos e informações sobre usuários podem ser estruturados com o apoio de IA, transformados em protótipos e submetidos a testes com Personas Sintéticas antes mesmo do desenvolvimento do produto.
Na prática, isso cria uma nova possibilidade para as organizações: aprender, testar e ajustar antes de investir na implementação.
As Personas Sintéticas podem complementar pesquisas tradicionais, apoiar a validação de jornadas, testar usabilidade, avaliar comunicações e experimentar novas soluções. O objetivo não é substituir a interação com pessoas reais, mas ampliar a capacidade de testar hipóteses, reduzir riscos e acelerar ciclos de aprendizado.
Essa lógica também pode ser combinada a squads semiautônomas orientadas por IA, nas quais agentes inteligentes apoiam diferentes etapas do desenvolvimento — de discovery e design à validação, desenvolvimento e testes.
Utilities: conhecer melhor o consumidor para responder a um mercado em transformação
No setor de Utilities, essa capacidade ganha relevância diante das mudanças na relação entre consumidores e empresas.
A expansão dos veículos elétricos, o crescimento da geração distribuída e a abertura do mercado de energia contribuem para um ambiente mais dinâmico e competitivo. Nesse cenário, compreender melhor diferentes perfis de consumidores e responder com mais agilidade às suas necessidades pode ser um diferencial.
Durante o painel, Felipe Versiani destacou justamente essa transformação: novos produtos, serviços e ofertas mais assertivas, combinados a um menor time-to-market, tendem a ganhar importância na atração e retenção de clientes.
É nesse contexto que Personas Sintéticas podem apoiar diferentes frentes, como:
- simulação da propensão de consumidores à migração para o mercado livre;
- avaliação da receptividade a novos produtos e serviços;
- antecipação de possíveis demandas ao atendimento ou processos judiciais a partir de eventos e características dos consumidores;
- treinamento de atendentes para diferentes cenários de interação;
- testes de campanhas de comunicação antes de sua implementação em escala.
O ponto de partida, porém, deve ser sempre um problema de negócio real, com resultados esperados que possam ser medidos. Assim, a tecnologia deixa de ser um experimento isolado e passa a estar conectada a objetivos concretos da organização.
Energy e Oil & Gas: da inteligência à ação
Em Energy e Oil & Gas, a discussão ganha outras dimensões.
Givanildo Costa destacou a inteligência como um novo pilar da transformação do setor, ao lado das moléculas e dos elétrons. A capacidade de transformar dados em decisões, conhecimento em ação e velocidade em vantagem competitiva pode contribuir para operar melhor, decidir com mais assertividade e acelerar a inovação.
Ao longo da cadeia de valor de Oil & Gas, as aplicações são diversas.
No upstream, a IA pode apoiar atividades relacionadas à exploração e produção, segurança, previsão de falhas e avaliação de soluções antes de sua adoção em ambientes críticos.
No midstream, pode contribuir para otimizar logística, capacidade, estoques, transporte e segurança operacional.
Já no downstream, abre espaço para apoiar o desenho e a validação de novos produtos, serviços e experiências para clientes e parceiros.
Nesse contexto, Personas Sintéticas podem representar diferentes perfis — como motoristas de aplicativo, caminhoneiros, gestores de frota, revendedores, consumidores premium ou clientes mais sensíveis a preço — e permitir a simulação de reações a diferentes preços, canais, campanhas, jornadas e propostas de valor.
A tecnologia pode ajudar, assim, a identificar mais rapidamente ideias menos promissoras e amadurecer aquelas com maior potencial antes de chegar ao piloto real.
Inteligência para decidir melhor sem substituir as pessoas
Um ponto importante da discussão é que Personas Sintéticas não substituem consumidores, operadores, revendedores ou clientes B2B.
Elas funcionam como uma camada complementar de inteligência, capaz de acelerar o aprendizado e permitir que organizações testem hipóteses antes de avançar para experimentações no mundo real.
Essa distinção é fundamental. O valor está justamente na combinação entre diferentes fontes de conhecimento: dados, inteligência artificial, experiência das equipes e interação com pessoas reais.
É essa combinação que pode tornar os ciclos de inovação mais rápidos e as decisões mais embasadas.
Uma nova camada para a inovação
As discussões do Rio Innovation Week reforçaram uma oportunidade que vai além de um setor específico.
Em diferentes indústrias, organizações enfrentam desafios semelhantes: compreender melhor seus clientes, testar novas ideias, reduzir riscos e tomar decisões com mais segurança antes de implementar mudanças em escala.
As Personas Sintéticas podem contribuir para esse processo ao ampliar a capacidade de pesquisa, validação e experimentação ao longo do ciclo de vida de produtos e serviços digitais. A NTT DATA já explora essas capacidades em diferentes setores, incluindo Utilities, Energy, combustíveis, Oil & Gas, serviços financeiros, telecomunicações, varejo e bens de consumo.
Mais do que uma nova tecnologia, trata-se de uma nova forma de aprender antes de decidir.
E, em mercados cada vez mais dinâmicos, essa capacidade pode ser decisiva para transformar informação em ação, acelerar a inovação e criar experiências mais relevantes para clientes e usuários.