O estudo sobre tecnologias emergentes na América Latina, realizado pela NTT DATA e pela Harvard Business Review, nos traz uma conclusão inicial bastante otimista: as empresas da região estão adotando essas tecnologias em seus programas de transformação. Os dados são impressionantes: 92% das organizações afirmam ter alcançado sucesso com o uso dessas tecnologias nos últimos 12 meses.
Em 2024, como já se previa, a IA generativa e a IA tradicional foram destaques. A IA generativa foi utilizada por 53% das empresas, e 60% delas afirmaram que a incorporarão em suas estratégias para o próximo ano. Por outro lado, a IA tradicional foi adotada por 44% das organizações, consolidando essas duas tecnologias como as principais tendências do momento. Isso contrasta com edições anteriores do estudo, onde os entrevistados costumavam mencionar entre seis e sete tecnologias emergentes, refletindo percentuais de adoção mais ou menos equilibrados.
Entre as tecnologias emergentes, a biometria ocupa o terceiro lugar, com 37%, refletindo a crescente necessidade das empresas de facilitar o acesso e validar a identidade dos usuários.
Em contrapartida, tecnologias como edge computing, blockchain, web3 e gêmeos digitais perderam terreno para os diferentes tipos de IA no estudo mais recente, embora, do nosso ponto de vista, essas tecnologias estejam se verticalizando. Por exemplo, os gêmeos digitais (ou digital twins) têm ganhado cada vez mais importância no segmento industrial, enquanto o blockchain parece ser mais relevante no setor financeiro. No entanto, a IA também exerce influência sobre essas tecnologias: nos próximos anos, estima-se que haja intersecções entre elas, visando integrar suas qualidades de forma a criar novas possibilidades.
Outra tendência que vem forte para o ano de 2025 é a dos agentes de IA: sistemas com maior autonomia para observar, raciocinar e tomar decisões com base em eventos temporais, dados de sensores ou consultas ativadas por outros agentes. A Agentic AI provavelmente será uma das estrelas do próximo estudo sobre tecnologias emergentes.
A OpenAI e outros players do setor traçaram uma evolução na maturidade da IA generativa, que passou por diferentes estágios de desenvolvimento. Os modelos genéricos, como o ChatGPT, marcaram o início dessa jornada, oferecendo capacidades amplas, mas não especializadas. Em seguida, surgiram os modelos personalizados, treinados com dados específicos de cada organização e integrados às suas políticas, medidas de segurança e regras de negócios, permitindo respostas mais precisas e contextuais, por meio de técnicas como fine-tuning e o uso de RAG. Atualmente, estamos vivendo a era dos agentes de IA, sistemas que não apenas geram texto, mas também interpretam contexto, interagem com outras ferramentas e realizam tarefas de forma autônoma dentro de limitações estabelecidas. A próxima fronteira dessa evolução será a transição para sistemas de inovação e organizações movidas por agentes de IA, onde a tomada de decisões, a otimização operacional e a exploração de novas oportunidades serão gerenciadas em colaboração com essas inteligências avançadas.
Além das tecnologias em si, um dos maiores desafios que as organizações da região enfrentam é gerar impacto econômico com seu uso: até o momento, pouco mais de 40% delas afirmam ter obtido resultados positivos nesse sentido.
O que as empresas mais buscam atualmente diz respeito a produtividade, melhorias na experiência do cliente ou redução de custos. Contudo, ainda não foi possível explorar todo o potencial dessas tecnologias com vistas a gerar vantagens competitivas, criar novos mercados e fontes de receita. Por isso, no que se refere às tecnologias emergentes na América Latina, ainda há um vasto caminho de oportunidades a ser explorado.