Escassez de talentos e tecnologias emergentes na América Latina: como enfrentar os desafios estruturais. | NTT DATA

qui, 06 março 2025

Escassez de talentos e tecnologias emergentes na América Latina: como enfrentar os desafios estruturais.

Uma cultura de desenvolvimento e formação permite agregar competências internas e melhorar o engajamento dos colaboradores.

É imperativo abordar a problemática da escassez de talentos com habilidades digitais se quisermos tirar proveito das oportunidades de desenvolvimento que ferramentas como a IA, entre outras inovações, proporcionam para a economia regional. De fato, um estudo realizado pela NTT DATA sobre tecnologias emergentes na América Latina revelou que 48% dos entrevistados citam a falta de mão de obra qualificada como o maior desafio para obter valor comercial do uso dessas tecnologias.

Compreendendo e compartilhando essa urgência, as áreas de Gestão de Pessoas desempenham um papel fundamental na antecipação e na preparação dos talentos do futuro no setor tecnológico. Isso não é segredo nem novidade para ninguém. A chave é pensar em como fazer isso de maneira eficaz e eficiente. As principais barreiras que enfrentamos nessas áreas podem ser resumidas em duas: dificuldade de antecipação das necessidades de conhecimento no curto e no médio prazos e escassez de tempo — e, às vezes, de vontade — para a capacitação. Além disso, há um desafio extra: a área de Gestão de Pessoas precisa manter um vínculo estreito com o negócio, estabelecendo a colaboração como um padrão. Isso permitirá que o planejamento estratégico da capacitação se desenvolva de maneira contínua e orgânica, em vez de agir apenas em situações de emergência. A questão vai além de responder às demandas do momento; trata-se de um planejamento feito com atenção e antecipação.

Ao mesmo tempo, o engajamento dos talentos enfrenta dificuldades em um mercado de trabalho competitivo, onde a demanda por habilidades técnicas cresce continuamente, acompanhada por oportunidades profissionais cada vez mais atrativas. Segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial, 50% dos colaboradores precisarão de (re)capacitação até 2025. Diante desse cenário, as organizações precisam ofertar capacitação contínua e desenvolver uma cultura que promova a inclusão e a diversidade, criando um ambiente onde os colaboradores queiram permanecer no longo prazo.

Em resumo, a tecnologia avança a passos largos e exige uma capacitação mais rápida e contínua para que possamos compreendê-la, aplicá-la e gerar valor. O paradoxo é que a própria tecnologia já nos dá uma possível solução. Embora a velocidade da inovação tecnológica esteja avançando em um ritmo mais rápido do que a capacidade que os sistemas educacionais têm de se adaptar, ela também nos proporciona plataformas de autoaprendizagem que se atualizam velozmente e enriquecem a oferta de capacitação. Portanto, a responsabilidade volta para as mãos do ser humano, deixando de ser uma solução fora do nosso controle para se tornar uma em que somos os protagonistas. Acredito que o desafio futuro está na vontade de aprender mais, na curiosidade para entender o novo e na ambição de evoluir.

 

Talento interno ou contratação externa?

Na minha opinião, é sempre preferível investir nos talentos internos da empresa. Eles estão ali por um motivo: são as pessoas certas. Por isso, dedicar tempo e recursos no desenvolvimento delas é um sinal de confiança e uma forma de retribuir, em conhecimento, o valor que elas já agregaram à organização. Esse investimento em upskilling e reskilling ainda aumenta o engajamento e a satisfação dos colaboradores.

É claro que a contratação externa tem suas vantagens, pois oferece acesso imediato a novas competências e habilidades. No entanto, também traz desafios, como altos custos de recrutamento e o risco de falta de alinhamento cultural com os valores e a missão da empresa. De acordo com dados da Society for Human Resource Management (SHRM), o custo médio para contratar um novo funcionário pode variar entre três e cinco vezes o salário do cargo em questão.

Para concluir, a saída é promover uma cultura corporativa que priorize o desenvolvimento contínuo do capital humano interno e reflita um compromisso com o crescimento pessoal e profissional dos colaboradores. Essas medidas aprimoram as competências internas para fazer frente às tecnologias emergentes e, ao mesmo tempo, alinham as operações da empresa com práticas sustentáveis e responsáveis de gestão de talentos.

A tecnologia define, a cada momento, "o que" é necessário saber. No entanto, se todos os atores — empresas, mercado, negócios, instituições educacionais e governos — trabalharem de forma coordenada, poderemos reduzir essa lacuna.


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