Setembro Azul – Mês de visibilidade da comunidade surda | NTT DATA

sex, 23 setembro 2022 - 6.01

Setembro Azul – Mês de visibilidade da comunidade surda

Você já ouviu falar sobre o setembro Azul? Falaremos nesse artigo sobre a importância do mês mais importante do ano para a comunidade surda. E vou logo explicando o motivo da escolha do mês.

Setembro foi escolhido o mês de visibilidade e comemoração das conquistas da comunidade surda por ter a maior concentração de datas referentes ao movimento.

Dia 23/09 – Dia Internacional das Línguas de Sinais

Dia 26/09 – Dia Nacional do Surdo

Dia 26/09/1857 – Fundação do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos)

Dia 30/09 – Dia Internacional do Surdo

Dia 30/09 – Dia do Tradutor e Intérprete

Mas, dentre tantas cores, por que o azul é o sortudo que representa as pessoas com deficiência auditiva?

O azul remete à faixa azul usada por prisioneiros com deficiência dos campos de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Por esse motivo a cor azul também é utilizada como identificação no contexto de acessibilidade, não só para deficiência auditiva.

Em 1999, 54 anos após o término da Segunda Guerra, ocorreu no XIII Congresso da Federação Mundial de Surdos, na Austrália, a Blue Ribbon Cerimony (Cerimônia da Fita Azul) em homenagem aos surdos vítimas de opressão. Na ocasião, o Dr. Paddy Ladd, professor e pesquisador surdo, teve a iniciativa de se apresentar com uma fita azul no braço simbolizando o movimento.

A visibilidade à comunidade surda e à língua de sinais proporciona uma excelente oportunidade para conscientizar cada vez mais a sociedade a respeito das necessidades de inclusão e acessibilidade desse público.

Acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva

Vivem no Brasil cerca de 10 milhões de pessoas com algum nível de deficiência auditiva, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo, são 500 milhões de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS projeta que esse número dobrará até 2050.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146 – 6 de julho de 2015), em seu 3º artigo, todo cidadão brasileiro tem direito à educação, informação e comunicação. No caso de pessoas com deficiência auditiva, esse direito é garantido pela utilização de tecnologias assistivas, como:

  • Aparelhos auditivos: amplificam os sons externos e possuem vários modelos que trabalham de forma diferente.
  • Implante coclear: dispositivo implantado cirurgicamente na cóclea, com objetivo de restaurar audição em pessoas com deficiência auditiva profunda que não se beneficiam de aparelhos auditivos convencionais.
  • Transcrição de áudio para texto: existem vários aplicativos que captam o som e o transcrevem para texto escrito; em aparelhos mobile existe a função nativa nas ferramentas de acessibilidade iOS e Android e é possível encontrar a transcrição em ferramentas de chamada, como por exemplo o Teams.
  • Ferramentas de detecção de barulhos em aparelhos mobile: também encontrada nas opções de acessibilidade de smartphones iOS e Android. Essa ferramenta consegue distinguir sinais e alertar o usuário via notificação textual.
  • Legendas: as legendas convencionais em português podem auxiliar, mas também há a legenda para surdos e ensurdecidos que traz junto das falas uma descrição dos sons entre colchetes, por exemplo [passos], [palmas], [música alegre], etc.
  • Língua de sinais: veremos a seguir como a língua de sinais se mostra cada vez mais fundamental para acessibilidade desse público.

Língua de sinais

No mundo, os surdos se comunicam de forma gesto-visual utilizando linguagens de sinais. Por exemplo: Nos Estados Unidos é utilizado a ASL (American Sign Language ou Língua de Sinais Americana); já na Inglaterra é a BSL (British Sign Language ou Língua de Sinais Britânica).

Aqui no Brasil temos a Libras (Língua Brasileira de Sinais) que é a língua materna das pessoas que se denominam surdas e que foram alfabetizadas em Libras. Dessa forma, é totalmente aceitável chamar um usuário de Libras que tenha deficiência auditiva de “surdo(a)”. Também existem no Brasil outras línguas de sinais, como a Cena, que se restringe a um grupo específico de brasileiros. Já a Libras é difundida em todo o Brasil.

Pelo ponto de vista social, é possível encarar a surdez como uma diferença cultural, se analisarmos que cultura é compartilhar símbolos, significados e valores – e a comunidade surda tem sua própria cultura fortemente através da sua própria língua, Libras.

Entendendo que os surdos têm sua própria língua, que é totalmente estruturada linguisticamente e natural à forma de receber e expressar as informações gesto-visual, recomenda-se a pessoas não surdas que, em sua comunicação textual é adotar uma vocabulário simples, evitar o uso de metáforas e uso de palavras de outros idiomas.

Aplicando a Libras em acessibilidade

No uso de avatares de Libras, é possível fazer sua utilização com o auxílio de um profissional intérprete de Libras para garantir a compreensão da sinalização.

Em conteúdos audiovisuais, segundo a Lei nº 12.319/2010, é recomendado a interpretação por profissionais que tenham fluência comprovada em Libras e domínio do vocabulário em contexto seguindo as orientações da Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de Língua de Sinais (Febrapils) sobre a atividade de interpretação.

Importante ressaltar o respeito ao tamanho mínimo da janela de intérprete. Segundo a ABNT, na Norma NBR 15.290 de 2005, o tamanho da janela de Libras deve ter no mínimo, a metade da altura e um quarto da largura da tela e deve haver contraste entre o fundo, a pele e cabelo do intérprete e roupa do intérprete.

Setembro é o mês de maior visibilidade dessa causa, mas é importante quebrarmos as barreiras de acessibilidade todos os dias. Isso exige muita empatia e a quebra de vieses preconceitos. Acessibilidade é um direito para todos e um dever de todos.


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