Pensar como um invasor — o novo paradigma da liderança CISO | NTT DATA

qui, 29 janeiro 2026

Pensar como um invasor — o novo paradigma da liderança CISO

A cibersegurança ofensiva propõe antecipar movimentos de adversários digitais cada vez mais rápidos, organizados e sofisticados.

 

Durante anos, a cibersegurança corporativa foi entendida como uma disciplina essencialmente defensiva, voltada a resistir ataques. Mas hoje os adversários digitais são mais rápidos, organizados e sofisticados do que nunca. Eles não esperam que uma vulnerabilidade apareça: buscam, testam e exploram brechas antes que as equipes de defesa consigam reagir.

Para enfrentar esse novo cenário, o papel do CISO não pode se limitar à resistência: é preciso antecipar, desafiar e aprender com as táticas usadas pelos invasores.

A era da cibersegurança ofensiva

A cibersegurança ofensiva propõe a transição da defesa reativa para a prevenção ativa, por meio de um conjunto de práticas que simulam o comportamento real de agentes mal-intencionados — com o objetivo de identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas.

Entre as disciplinas centrais, destacam-se o "Red Teaming", simulações realistas de ataques coordenados para avaliar a capacidade de detecção e resposta; o "Pentesting", testes controlados em aplicações, redes e sistemas com foco em vulnerabilidades técnicas específicas; e o "Threat Hunting", busca proativa por sinais de intrusão ou comportamentos anômalos antes que evoluam para incidentes.

Outro componente fundamental é o Threat Intelligence — a análise aprofundada do ecossistema de ameaças para compreender como operam os adversários mais relevantes.

Em essência, trata-se de pensar como um invasor para se defender melhor — e testar a resiliência da organização sob condições reais.

Uma visão realista do risco

Empresas que adotam uma abordagem ofensiva melhoram sua postura de segurança e conquistam uma visão de risco mais realista e alinhada ao negócio.

Entre os principais benefícios estão: priorização de investimentos com base em ameaças concretas (e não em hipóteses), detecção antecipada de vulnerabilidades críticas antes que sejam exploradas, fortalecimento da coordenação e agilidade de resposta por meio de treinamentos baseados em cenários reais, além de um sinal claro para clientes, parceiros e órgãos reguladores de que a organização está comprometida com a proteção e a continuidade — o que gera mais confiança.

Por fim, esse modelo estimula uma mentalidade de segurança adaptativa em toda a empresa.

Na prática, transforma a prevenção em um instrumento de liderança e credibilidade institucional.

Proteger e antecipar — a estratégia ideal

A cibersegurança ofensiva, centrada na descoberta de vulnerabilidades e no desafio às defesas existentes, complementa e valida a estratégia defensiva, voltada à proteção e à reação.

A abordagem ideal combina as duas vertentes em um modelo híbrido: defesas robustas, continuamente postas à prova por simulações ofensivas.

Somente assim as organizações podem garantir que seus controles se mantêm eficazes sob pressão real.

Uma mudança cultural e de governança

Adotar um enfoque ofensivo exige uma transformação cultural e de governança, na qual o CISO assume o papel de estrategista proativo — conectando os testes ofensivos à visão de negócio e aos objetivos de resiliência organizacional.

Entre as recomendações mais relevantes estão: integrar exercícios de Red Teaming ao planejamento anual de segurança corporativa; investir em inteligência de ameaças, especialmente em setores críticos ou expostos a riscos geopolíticos; e estabelecer indicadores-chave de desempenho (KPIs) de resiliência, que avaliem velocidade e eficácia de resposta diante de ataques simulados. Também é essencial colaborar com parceiros externos especializados — capazes de oferecer independência, experiência tática e capacidade de traduzir as descobertas técnicas em métricas de negócio, informando à diretoria sobre os riscos e a continuidade dos negócios.

O verdadeiro valor da cibersegurança ofensiva não está apenas em encontrar falhas, mas em fortalecer a capacidade organizacional de aprender, evoluir e conhecer suas vulnerabilidades antes dos adversários.

Para os CISOs, adotar esse modelo é um ato de liderança estratégica. Deve-se ir além da gestão de riscos para dominar a superfície de exposição — e além da proteção de sistemas para garantir a continuidade e a confiança.


Como podemos ajudá-lo?

Entre em contato conosco