À medida que organizações avançam em suas estratégias multicloud, um desafio recorrente emerge: como garantir que os workloads estejam alocados na plataforma mais adequada, equilibrando custo, performance, resiliência e valor de negócio?
Diante desse questionamento e desafio de negócio, o Cloud Rationalization (racionalização de nuvem) se estabelece sendo uma prática fundamental para a tomada de decisão. No entanto, à medida que a maturidade em nuvem evolui, torna-se evidente que a racionalização, por si só, não é suficiente e é necessário começar a falar de eficiência contínua.
Segundo o relatório State of the Cloud 2026 da Flexera, aproximadamente 29% dos gastos em nuvem são desperdiçados. Ao mesmo tempo, análises do Gartner indicam que a maioria das organizações enfrentam desafios recorrentes no controle de custos em cloud, incluindo falta de visibilidade, decisões arquiteturais inadequadas e ausência de governança contínua. Esse cenário evidencia que abordagens tradicionais de otimização não são mais suficientes — exigindo uma evolução para modelos contínuos, orientados a valor, como a Frugal Journey.
Da eficiência pontual à eficiência contínua
A racionalização da nuvem representou um ponto de partida importante, mas se tornou insuficiente em ambientes com maior maturidade. A evolução natural desse processo foi a adoção de uma abordagem contínua, aqui denominada Frugal Journey — na qual eficiência deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a ser incorporada à cultura organizacional.
Enquanto a racionalização define onde e como os workloads devem operar, a “frugalidade” é um conceito que reúne práticas já consolidadas do mercado e estabelece como esses ambientes devem evoluir ao longo do tempo, com foco constante na otimização do uso de recursos e na maximização de valor.
Entretanto, a adoção do Frugal Journey não acontece de maneira abrupta. Estamos falando de um processo gradual de evolução, que, muitas vezes, acaba levando à convergência dos dois conceitos. Podemos dividir essa jornada em três dimensões, que são:
1. Rationalize (Decidir)
Avaliação estruturada do ambiente, incluindo mapeamento de workloads, análise de criticidade e definição de estratégias de modernização, como os 6R’s. O resultado é uma base mais eficiente, alinhada às prioridades do negócio.
2. Optimize (Ajustar)
Foco na eficiência operacional por meio de práticas como rightsizing, revisão de modelos de consumo e evolução arquitetural. Essa etapa reduz desperdícios e melhora o uso dos recursos disponíveis.
3. Frugalize (Evoluir)
Incorporação da eficiência como disciplina contínua. Envolve práticas de FinOps, engenharia orientada a custo e decisões baseadas em valor, garantindo que a otimização acompanhe a evolução do negócio.
A jornada para o Frugal Journey na prática
Em cenários reais, é comum observar ambientes que cresceram de forma descentralizada, resultando em sobreposição de serviços, desalinhamento estratégico e aumento de custos.
Nesses casos, a racionalização permite reorganizar esse cenário, direcionando workloads conforme suas características — sejam eles mais aderentes a ecossistemas específicos, modelos cloud-native ou requisitos de integração.
A partir desse ponto, a Frugal Journey garante que essa estrutura não se deteriore com o tempo, promovendo otimização contínua, visibilidade de custos e evolução arquitetural orientada a valor.
Essa evolução de eficiência na nuvem não deve ser interpretada como redução indiscriminada de custos, mas sim como a capacidade de maximizar valor por unidade de investimento. Da mesma forma, estratégias multicloud devem ser guiadas por objetivos claros de negócio. Tanto a concentração excessiva quanto a dispersão descontrolada de workloads podem introduzir riscos operacionais e financeiros.
Fica claro aqui que as organizações que adotam Cloud Rationalization estabelecem uma base sólida para o uso eficiente da nuvem. E aquelas que evoluem para uma Frugal Journey transformam essa base em uma capacidade contínua de geração de valor.
Em um cenário onde eficiência e agilidade são diferenciais competitivos, essa evolução deixa de ser opcional e passa a ser estratégica.